Domingo, Novembro 20, 2011

O capitalismo precisa de desemprego



O Banco Central finalmente resolveu enxergar a realidade da crise gigantesca que afeta o Planeta e começou, timidamente, a cortar juros. A CUT e a FIESP aplaudiram, mas pediram mais. Os comentaristas econômicos da mídia rentista criticaram e disseram que o BC estava errado.

Ora, a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de SP) representa o capital industrial. A CUT representa os trabalhadores. Ou seja, tanto patrões como trabalhadores querem redução dos juros. Mas, então, qual força social está por trás dos comentaristas econômicos e ex-ministros tucanos que vêm a público pedir ao BC para NÃO reduzir os juros? Eles representam os banqueiros e especuladores, aqueles que ganham com a miséria da sociedade.

Mas o que chamou a atenção foi o comunicado do Comitê que decide sobre a taxa Selic, dizendo que o fato de os salários terem aumentos reais é fator inflacionário. Também ouvimos comentaristas demotucanos dizerem que o desemprego muito baixo é prejudicial.

Acontece que o capitalismo, em sua fase de imperialismo financeiro, precisa, mais do que nunca, de desemprego. Quando há um bom número de pessoas na miséria, os trabalhadores aceitam empregos pelo salário que for. Quando o desemprego se reduz, as empresas são obrigadas a pagar mais se quiserem bons funcionários.

Essa é uma contradição dramática do capitalismo. Afinal, menos salário significa menos consumo. E o capitalismo vive de consumo. Estamos assistindo ao resultado dessa autofagia na Europa e nos EUA. Recessão produz mais recessão. Desemprego produz mais desemprego.

Os governos da América do Sul estão, provisoriamente, conseguindo uma solução ainda dentro do capitalismo: aumentar os salários, implementar programas sociais e melhorar a infraestrutura. Com isso, aumentam os empregos e aumenta o consumo interno. Ficamos, portanto, menos dependentes de exportações.

Essa solução é provisória, já dissemos, pois o capitalismo é mundial e assim também é sua crise. Só para citar um exemplo, companhias europeias como a TelefÔnica estão remetendo bilhões para suas matrizes, a fim de ajudar a Europa a sair do pântano em que afunda.

A solução definitiva virá na forma de uma outra organização econômica e social. Se quisermos, podemos até chamar de "socialismo", embora esse nome esteja desgastado pela experiência desastrosa que foi a extinta URSS e pelo capitalismo ditatorial que hoje governa a China.


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