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O que os jornais e a tv não dizem sobre essa crise é que não se trata de uma "crise da Europa" ou "crise da dívida", mas sim uma crise sistêmica do capitalismo.
Nos EUA, por exemplo, a concentração de renda aumentou drasticamente. Segundo dados oficiais, 50 milhões de estadunidenses vivem abaixo da linha da pobreza e dependem do bolsa-família deles (três refeições grátis por dia) para sobreviver. Isso segundo os dados oficiais. Os dados reais podem ser ainda piores.
Na Europa, não é diferente. Milhões de desempregados na Espanha, Grécia, Itália, Portugal, Inglaterra, França. Bem, melhor dizer: milhões de desempregados na Europa.
Agora a crise começa a chegar também na Alemanha.
Sendo uma crise mundial, ela pode chegar também aqui. Mas pode chegar de forma positiva. Muitos investidores tirarão o time de campo na Europa e procurarão mercados mais estáveis, como a América do Sul. Parece que já está a ocorrer isso: fabricantes de automóveis, pelo menos alguns deles, construirão fábricas aqui no Brasil. Então, momentaneamente estamos salvos. Esse "momentaneamente" pode significar alguns anos, em se tratando de economia.
Mas a saída definitiva da crise é outra.
É preciso estatizar todos os bancos, pois o sistema bancário é importante demais para ser deixado ao sabor das decisões de meia dúzia de famílias.
É preciso fortalecer as micro e pequenas empresas, muito mais do que os governos da América do Sul estão fazendo. São essas pequenas empresas que produzem mais empregos, enquanto as grandes automatizam a produção, demitindo trabalhadores.
É preciso promover uma reforma agrária radical, de forma que todos os que quiserem tenham terra para produzir. As pequenas propriedades são muito mais produtivas, e mais de 50% dos itens alimentares que consumimos proveem da agricultura de porte médio ou familiar.
Podemos aproveitar a crise para crescer. E parece que o Governo Dilma tem essa intenção. Haja visto os grandes investimentos em infraestrutura e a redução da taxa Selic.
Mas, como dissemos, todas as soluções são provisórias se a crise é do capitalismo...

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